D. Miguel “O rei absoluto” – 1828-1834

Nasceu em Queluz, em 1802. Era irmão de D. Pedro IV. Casou com D. Adelaide Sofia. Teve o cognome de “O Absolutista” por ser partidário de uma monarquia absoluta. D. Miguel regressou da Áustria, onde se encontrava exilado, e chegou a Portugal em 1828. Depois de jurar a Carta Constitucional assumiu a regência de Portugal, mas viu que não era capaz de governar, seguindo uma política liberal com a qual não concordava.

Senhor do poder, uma das primeiras medidas de D. Miguel foi dissolver o Parlamento. Logo a seguir, convocou as cortes, segundo os velhos costumes. Estas, apoiadas por um grande partido, restauraram então o regime tradicionalista, isto é, proclamaram D. Miguel rei absoluto.

A resolução tomada pelas cortes desagradou aos liberais (constitucionais). Começou, por isso, a guerra civil. Em várias terras do país, levantaram-se motins contra D. Miguel, logo prontamente sufocados. No Porto, revoltou-se a guarnição militar, que foi dominada também pelas forças miguelistas (absolutistas ou realistas do general Póvoas). As tropas liberais e grande parte dos seus partidários fugiram para a Espanha, de onde passaram para a França e Inglaterra.

Com a vitória dos realistas, D. Miguel ficou a dominar em todo o território português, com excepção da Ilha Terceira, que se conservara fiel à rainha D. Maria da Glória.

Reuniram-se nesta ilha muitos dos liberais fugitivos que se encontravam na França e na Inglaterra, entre os quais o Conde de Vila Flor, que assumiu o comando das tropas e o governo da ilha.

D. Miguel, com o fim de submeter os revoltosos, mandou ali uma esquadra que foi derrotada no combate da Vila da Praia. D. Pedro, informado dos acontecimentos que se desenrolavam em Portugal, tratou sem demora de abdicar a coroa do Brasil em seu filho, D. Pedro de Alcântara. Em seguida – a fim de retomar o trono para a sua filha, D. Maria da Glória – partiu para França e Inglaterra, onde, com portugueses e estrangeiros, conseguiu organizar um exército com que foi juntar-se aos seus partidários da ilha Terceira.

Em Junho do mesmo ano, D. Pedro partiu da ilha de S. Miguel (Açores) para a metrópole, à frente de uma expedição de 7.500 homens; desembarcou no Mindelo (próximo de Leixões) a 8 de Julho e entrou no dia seguinte no Porto, que as tropas de D. Miguel vieram sitiar depois, tendo esta cidade sofrido, durante mais de um ano, um cerco terrível. Os sitiantes do Porto, apesar da resistência dos liberais, não desistiam de tomar aquela cidade, e continuavam os seus ataques. Tornava-se urgente, pois, acudir à desesperada dos liberais, que já lutavam até com falta de alimentos.

Então o Duque de Terceira, conseguindo sair do Porto por mar (Junho de 1833), com uma expedição de 1.500 homens, dirigiu-se às costas do Algarve, onde desembarcou. Depois de tomar várias terras do sul e de ter derrotado, perto de Cabo de S. Vicente, a esquadra realista que ali se encontrava, pôde facilmente caminhar até Lisboa, onde entrou no dia 24 de Julho, pondo em debandada as tropas miguelistas.

Os miguelistas notando o perigo que a sua causa estava correndo no sul, resolveram levantar o cerco do Porto e salvar Lisboa, marchando também em sua perseguição as tropas que tinham estado sitiadas naquela cidade. Passado tempo, os dois exércitos encontraram-se, mas o Marechal Saldanha, a favor dos liberais, ganhou a batalha de Almoster (Fevereiro de 1834).

Em Maio do mesmo ano, os miguelistas foram igualmente derrotadas pelo Duque da Terceira na batalha de Asseiceira. Como se acaba de verificar, a sorte desta guerra civil foi desfavorável à causa que D. Miguel defendia. Por isso, este, reconhecendo-se vencido, assinou em 26 de Maio de 1834 a Convenção de Évora-Monte, pela qual era obrigado a depor as armas e a retirar-se para fora de Portugal, no prazo de 15 dias. D. Miguel, vencido pelos liberais, exila-se Áustria, onde faleceu em 1866. Os seus restos mortais foram transportados para Portugal.

1 Comentário

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One response to “D. Miguel “O rei absoluto” – 1828-1834

  1. nunoalmeidaramos

    (…) Quádrupla-Aliança é a designação dada ao tratado assinado em Londres a 22 de Abril de 1834 entre os Governos de Guilherme IV do Reino Unido, Luís Filipe de França, Dom Pedro I do Brasil (regente em nome de sua filha Dona Maria da Glória, futura Dona Maria II) e a regente de Espanha Dona Maria Cristina de Bourbon, visando impor regimes liberais nas monarquias ibéricas. Tal implicava a garantia da expulsão dos Reis Dom Miguel de Bragança de Portugal e Dom Carlos de Borbón de Espanha, mesmo que tal obrigasse à entrada de tropas estrangeiras nos respectivos territórios.

    Neste sentido ficou aprovado que a Espanha forneceria um corpo de tropas por ela mantido; a Inglaterra uma força naval; e a França, se necessário, o que se combinasse. Portugal enviaria, se fosse necessário, um Exército Auxiliar para Espanha com o intuito de ajudar as tropas liberais espanholas, o que veio a suceder.

    A primeira acção militar deu-se em Portugal, no quadro da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) que então opunha liberais, encabeçados pelo ex-Imperador do Brasil, Dom Pedro I e realistas encabeçados pelo Rei Dom Miguel I de Portugal. Naquela intervenção, o Almirante Charles Napier desembarcou tropas na Figueira da Foz, avançando por Leiria, Ourém e Torres Novas e o General Espanhol José Ramón Rodil y Campillo entrou em Portugal através da Beira e Alto Alentejo com uma expedição de 15 mil homens em apoio do partido de Dom Pedro e de sua filha Dona Maria da Glória. Na batalha de Asseiceira, as forças militares portuguesas foram derrotadas pela conjugação destas forças estrangeiras aliadas às forças do 1.º duque da Terceira, sendo o Rei Dom Miguel forçado a abdicar em favor de Dona Maria II através da Concessão de Évora Monte, datada de 26 de Maio de 1834.

    Mais tarde, ainda no que respeita a Portugal, a Quádrupla-Aliança foi invocada para legitimar uma nova intervenção estrangeira que, na Primavera de 1847, pôs termo à Guerra-Civil da Patuleia que havia rebentado na sequência da Revolução da Maria da Fonte e do Golpe Palaciano da Emboscada.

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