Category Archives: Reis da 4ª Dinastia

D. Manuel II “O patriota” – 1908-1910

 Nasceu em Lisboa, em 1889. Era filho de D. Carlos I, a quem sucedeu, e de D. Maria Amélia de Orleães. Casou, já depois de destronado, com a princesa alemã Vitória Sigmaringen. Foi cognominado de “O Patriota ou Desventurado” devido ao seu amor à Pátria e à fraca sorte que teve no seu reinado. D. Manuel II foi o último rei de Portugal. Faleceu no exílio em Inglaterra, a 2 de Abril de 1932, sem deixar descendência. Os seus restos mortais regressaram à Pátria, a seu pedido, e jaz em S. Vicente de Fora.

Pelas razões atrás indicadas, D. Manuel II subiu ao trono, tendo sido aclamado em Maio de 1908. O seu reinado foi curto, pois durou pouco mais de dois anos. Com o assassinato do rei D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, a Monarquia ficou agonizante. Os partidos dinásticos continuaram a guerrear-se. Entretanto, o partido republicano ia fazendo a propaganda.

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D. Carlos I “O diplomata” – 1889-1908

Nasceu em Lisboa, em 1863. Era filho de D. Luís I, a quem sucedeu, e de D. Maria Pia de Sabóia. Casou com D. Maria Amélia de Orleães, a quem se deve a criação da Assistência Nacional aos Tuberculosos e do Instituto de Socorro a Náufragos. Foi cognominado de “O Diplomata ou Martirizado”, porque soube prestigiar o nome de Portugal e por ser vítima de um atentado. Visitou oficialmente a Espanha, França, Prússia e Inglaterra. Faleceu em 1908 e jaz em S. Vicente de   Fora.

No reinado de D. Carlos, a Inglaterra mandou um ultimato a Portugal, pelo qual os Portugueses tinham de abandonar os territórios africanos da região conhecida por Mapa cor-de-rosa, perante a ameaça de uma guerra, pois reclamava para si a posse desses territórios.

Os republicanos, aproveitando a oportunidade, trataram de fazer grande propaganda contra o regime monárquico. A propaganda republicana continuava a fazer-se. Os partidos políticos da monarquia, em vez de se unirem, guerreavam-se. Os governos não tinham estabilidade. D. Carlos, atendendo a esta confusão política e social, chamou ao poder o Conselheiro João Franco que, dissolvendo o Parlamento, começou a governar em ditadura. Mas os ódios e as intrigas aumentaram entre os inimigos do regime, que discordavam da nova orientação governativa. Deu-se então um crime: o assassinato de D. Carlos e do Príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, no Terceiro da Paço, por Manuel Buíça e Alfredo Costa, quando, no dia 1 de Fevereiro de 1908, estes regressavam de Vila Viçosa com a família real.

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D. Luís I “O popular” – 1861-1889

 Nasceu em Lisboa, em 1838. Era filho de D. Maria II e irmão de D. Pedro V, a quem sucedeu, por este não deixar descendência. Casou com D. Maria de Sabóia. Teve cognome de “O Popular” pela maneira como convivia com todos os Portugueses. Muito culto e bondoso, D. Luís I, ao longo do seu reinado, foi animado pelo propósito de fazer progredir Portugal. Porém, os males continuavam, devido à incapacidade governativa, à irresponsabilidade parlamentar e à falta de uma consciência unificadora e patriótica. D. Luís I faleceu em 1889. Jaz em S. Vicente de Fora.

No reinado de D. Luís realizaram-se grandes melhoramentos e importantes reformas, que contribuíram para o progresso de Portugal: – Foi alargada a rede de estradas e de caminhos de ferro; construíram-se as pontes de ferro sobre o rio Douro e o Palácio de Cristal, no Porto; aumentou-se a marinha de guerra; criaram-se escolas primárias, agrícolas e industriais e bancos de crédito. D. Luís I publicou um Código Civil. Acabou com a pena de morte em Portugal, para crimes civis. Aboliu definitivamente a escravatura em todos os territórios portugueses.

A França assinou, em 1886, um tratado com Portugal pelo qual era assegurado o exército da nossa influência e soberania no território percorrido pelos notáveis exploradores Serpa Pinto, Capelo e Roberto Ivens e que estabeleceram a ligação, por terra, entre as zonas de Angola e Moçambique. Esse território ficou a ser conhecido pela designação de Mapa cor-de-rosa por ser essa a cor que o evidenciava no mapa.

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D. Pedro V “O esperançoso” – 1853-1861

Nasceu em Lisboa, em 1837. Era filho de D. Maria II, a quem sucedeu, e de D. Fernando. Casou com D. Estefânia. D. Maria II faleceu com 34 anos de idade. O seu filho D. Pedro tinha 16 anos de idade. Ficou a governar seu pai D. Fernando II, até que o herdeiro do trono completasse 18 anos. A acção de D. Fernando foi notável. Mandou proteger e restaurar os monumentos abandonados. Deram a este rei o cognome de “O Esperançoso” devido à grande esperança que nele depositaram os Portugueses. D. Pedro V faleceu em Novembro de 1861, com 24 anos   de idade e 6 de reinado. Era viúvo da Rainha D. Estefânia.

D. Pedro V tinha apenas 15 anos, quando faleceu D. Maria II, sua mãe. Até 1855, data em que completou 18 anos, governou como regente seu pai, D. Fernando. Atingida a maioridade, D. Pedro tomou conta do poder. Teve o cognome de o Esperançoso devido à grande esperança que nele depositavam os portugueses. Assumindo o poder, D. Pedro V revelou-se logo um monarca de grandes qualidades.

As suas virtudes e o seu interesse em bem servir a nação tornaram-no amado e respeitado dos Portugueses. Ao começar o seu curto reinado, houve em Lisboa duas terríveis epidemias que muitas vítimas causaram – a cólera – mórbus e a febre amarela.

Enquanto muita gente, com medo do flagelo, abandonava a capital, D. Pedro V visitou os hospitais, confortando os doentes. D. Pedro V foi também um grande protector da instrução pública. Criou muitas escolas de ensino primário, algumas das quais eram mantidas à sua custa.

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D. Maria II “A educadora” – 1834-1853

Nasceu no Rio de Janeiro (Brasil), em 1819. Era filha de D. Pedro IV e de D. Maria Leopoldina. Casou com D. Augusto, duque de Leuchtenberg, e, segunda vez, com D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha. D. Maria II foi cognominada de “A Educadora” pela esmerada educação que deu a seus filhos. O reinado de D. Maria II continuou muito agitado: uns querem a Carta Constitucional, outros optam pela Constituição de 1822.   Faleceu em 1822 e jaz em S. Vicente de Fora.

Devem-se a D. Maria II bastantes reformas e melhoramentos respeitantes à instrução pública, tais como:

 – Criação de Liceus e Escolas Primárias; a fundação das Escolas Médicas de Lisboa e Porto, da Escola Politécnico de Lisboa, da Academia Politécnica do Porto, do Instituto Agrícola e do Conservatório de Música;

 – Reorganizaram-se os correios e começaram a circular em Portugal os primeiros selos de correio; Construíram-se, ainda estradas e pontes e iniciou-se a construção do primeiro troço de caminho-de-ferro.

Foi um movimento popular, a Revolução da “Maria da Fonte” que estalou na Póvoa de Lanhoso (Minho), em 1846 e que se estendeu a todo o país. Esse movimento foi motivado pelos agravamentos dos impostos e pelas medidas tomadas por Costa Cabral que obrigavam os enterramentos nos cemitérios e não nas igrejas, como era costume.

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D. Miguel “O rei absoluto” – 1828-1834

Nasceu em Queluz, em 1802. Era irmão de D. Pedro IV. Casou com D. Adelaide Sofia. Teve o cognome de “O Absolutista” por ser partidário de uma monarquia absoluta. D. Miguel regressou da Áustria, onde se encontrava exilado, e chegou a Portugal em 1828. Depois de jurar a Carta Constitucional assumiu a regência de Portugal, mas viu que não era capaz de governar, seguindo uma política liberal com a qual não concordava.

Senhor do poder, uma das primeiras medidas de D. Miguel foi dissolver o Parlamento. Logo a seguir, convocou as cortes, segundo os velhos costumes. Estas, apoiadas por um grande partido, restauraram então o regime tradicionalista, isto é, proclamaram D. Miguel rei absoluto.

A resolução tomada pelas cortes desagradou aos liberais (constitucionais). Começou, por isso, a guerra civil. Em várias terras do país, levantaram-se motins contra D. Miguel, logo prontamente sufocados. No Porto, revoltou-se a guarnição militar, que foi dominada também pelas forças miguelistas (absolutistas ou realistas do general Póvoas). As tropas liberais e grande parte dos seus partidários fugiram para a Espanha, de onde passaram para a França e Inglaterra.

Com a vitória dos realistas, D. Miguel ficou a dominar em todo o território português, com excepção da Ilha Terceira, que se conservara fiel à rainha D. Maria da Glória.

Reuniram-se nesta ilha muitos dos liberais fugitivos que se encontravam na França e na Inglaterra, entre os quais o Conde de Vila Flor, que assumiu o comando das tropas e o governo da ilha.

D. Miguel, com o fim de submeter os revoltosos, mandou ali uma esquadra que foi derrotada no combate da Vila da Praia. D. Pedro, informado dos acontecimentos que se desenrolavam em Portugal, tratou sem demora de abdicar a coroa do Brasil em seu filho, D. Pedro de Alcântara. Em seguida – a fim de retomar o trono para a sua filha, D. Maria da Glória – partiu para França e Inglaterra, onde, com portugueses e estrangeiros, conseguiu organizar um exército com que foi juntar-se aos seus partidários da ilha Terceira.

Em Junho do mesmo ano, D. Pedro partiu da ilha de S. Miguel (Açores) para a metrópole, à frente de uma expedição de 7.500 homens; desembarcou no Mindelo (próximo de Leixões) a 8 de Julho e entrou no dia seguinte no Porto, que as tropas de D. Miguel vieram sitiar depois, tendo esta cidade sofrido, durante mais de um ano, um cerco terrível. Os sitiantes do Porto, apesar da resistência dos liberais, não desistiam de tomar aquela cidade, e continuavam os seus ataques. Tornava-se urgente, pois, acudir à desesperada dos liberais, que já lutavam até com falta de alimentos.

Então o Duque de Terceira, conseguindo sair do Porto por mar (Junho de 1833), com uma expedição de 1.500 homens, dirigiu-se às costas do Algarve, onde desembarcou. Depois de tomar várias terras do sul e de ter derrotado, perto de Cabo de S. Vicente, a esquadra realista que ali se encontrava, pôde facilmente caminhar até Lisboa, onde entrou no dia 24 de Julho, pondo em debandada as tropas miguelistas.

Os miguelistas notando o perigo que a sua causa estava correndo no sul, resolveram levantar o cerco do Porto e salvar Lisboa, marchando também em sua perseguição as tropas que tinham estado sitiadas naquela cidade. Passado tempo, os dois exércitos encontraram-se, mas o Marechal Saldanha, a favor dos liberais, ganhou a batalha de Almoster (Fevereiro de 1834).

Em Maio do mesmo ano, os miguelistas foram igualmente derrotadas pelo Duque da Terceira na batalha de Asseiceira. Como se acaba de verificar, a sorte desta guerra civil foi desfavorável à causa que D. Miguel defendia. Por isso, este, reconhecendo-se vencido, assinou em 26 de Maio de 1834 a Convenção de Évora-Monte, pela qual era obrigado a depor as armas e a retirar-se para fora de Portugal, no prazo de 15 dias. D. Miguel, vencido pelos liberais, exila-se Áustria, onde faleceu em 1866. Os seus restos mortais foram transportados para Portugal.

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D. Pedro IV “O rei soldado” – 1826-1828

Nasceu em Lisboa, em 1798. Era filho de D. João VI, a quem sucedeu, e de D. Carlota Joaquina. Casou com D. Maria Leopoldina e, pela segunda vez, com D. Amélia de Beauharnais. D. Pedro IV foi cognominado de “O Libertador” porque derrotou o absolutismo defendido pelo irmão D. Miguel. Faleceu em 1834.

D. Pedro, Imperador do Brasil, foi reconhecido pelo Conselho de Regência sucessor de D. João VI e, por isso, rei de Portugal, com o nome de D. Pedro IV. A carta Constitucional foi outorgada por D. Pedro IV, em 1826, substituindo a Constituição de 1822, embora nela se baseasse. D. Pedro, que já era, como se sabe, Imperador do Brasil, não devia nem podia ao mesmo tempo ser rei de Portugal; por isso, abdicou em sua filha, D. Maria da Glória, o direito de sucessão ao trono português (1826). Porém, nesta abdicação condicionava o seguinte: – Que tal abdicação só se tornaria efectiva quando D. Maria da Glória, que contava apenas 7 anos, atingisse a maioridade e que ela deveria casar com o seu tio, D. Miguel; que este deveria jurar a Carta Constitucional e que, entretanto, ficaria como regente o seu irmão, o mesmo D. Miguel. D. Miguel encontrava-se então em Viena de Áustria. Ao regressar a Portugal, jurou a Carta e assumiu a regência do reino.

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