D. Luís I “O popular” – 1861-1889

 Nasceu em Lisboa, em 1838. Era filho de D. Maria II e irmão de D. Pedro V, a quem sucedeu, por este não deixar descendência. Casou com D. Maria de Sabóia. Teve cognome de “O Popular” pela maneira como convivia com todos os Portugueses. Muito culto e bondoso, D. Luís I, ao longo do seu reinado, foi animado pelo propósito de fazer progredir Portugal. Porém, os males continuavam, devido à incapacidade governativa, à irresponsabilidade parlamentar e à falta de uma consciência unificadora e patriótica. D. Luís I faleceu em 1889. Jaz em S. Vicente de Fora.

No reinado de D. Luís realizaram-se grandes melhoramentos e importantes reformas, que contribuíram para o progresso de Portugal: – Foi alargada a rede de estradas e de caminhos de ferro; construíram-se as pontes de ferro sobre o rio Douro e o Palácio de Cristal, no Porto; aumentou-se a marinha de guerra; criaram-se escolas primárias, agrícolas e industriais e bancos de crédito. D. Luís I publicou um Código Civil. Acabou com a pena de morte em Portugal, para crimes civis. Aboliu definitivamente a escravatura em todos os territórios portugueses.

A França assinou, em 1886, um tratado com Portugal pelo qual era assegurado o exército da nossa influência e soberania no território percorrido pelos notáveis exploradores Serpa Pinto, Capelo e Roberto Ivens e que estabeleceram a ligação, por terra, entre as zonas de Angola e Moçambique. Esse território ficou a ser conhecido pela designação de Mapa cor-de-rosa por ser essa a cor que o evidenciava no mapa.

Deixe um comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. Pedro V “O esperançoso” – 1853-1861

Nasceu em Lisboa, em 1837. Era filho de D. Maria II, a quem sucedeu, e de D. Fernando. Casou com D. Estefânia. D. Maria II faleceu com 34 anos de idade. O seu filho D. Pedro tinha 16 anos de idade. Ficou a governar seu pai D. Fernando II, até que o herdeiro do trono completasse 18 anos. A acção de D. Fernando foi notável. Mandou proteger e restaurar os monumentos abandonados. Deram a este rei o cognome de “O Esperançoso” devido à grande esperança que nele depositaram os Portugueses. D. Pedro V faleceu em Novembro de 1861, com 24 anos   de idade e 6 de reinado. Era viúvo da Rainha D. Estefânia.

D. Pedro V tinha apenas 15 anos, quando faleceu D. Maria II, sua mãe. Até 1855, data em que completou 18 anos, governou como regente seu pai, D. Fernando. Atingida a maioridade, D. Pedro tomou conta do poder. Teve o cognome de o Esperançoso devido à grande esperança que nele depositavam os portugueses. Assumindo o poder, D. Pedro V revelou-se logo um monarca de grandes qualidades.

As suas virtudes e o seu interesse em bem servir a nação tornaram-no amado e respeitado dos Portugueses. Ao começar o seu curto reinado, houve em Lisboa duas terríveis epidemias que muitas vítimas causaram – a cólera – mórbus e a febre amarela.

Enquanto muita gente, com medo do flagelo, abandonava a capital, D. Pedro V visitou os hospitais, confortando os doentes. D. Pedro V foi também um grande protector da instrução pública. Criou muitas escolas de ensino primário, algumas das quais eram mantidas à sua custa.

Deixe um comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. Maria II “A educadora” – 1834-1853

Nasceu no Rio de Janeiro (Brasil), em 1819. Era filha de D. Pedro IV e de D. Maria Leopoldina. Casou com D. Augusto, duque de Leuchtenberg, e, segunda vez, com D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha. D. Maria II foi cognominada de “A Educadora” pela esmerada educação que deu a seus filhos. O reinado de D. Maria II continuou muito agitado: uns querem a Carta Constitucional, outros optam pela Constituição de 1822.   Faleceu em 1822 e jaz em S. Vicente de Fora.

Devem-se a D. Maria II bastantes reformas e melhoramentos respeitantes à instrução pública, tais como:

 – Criação de Liceus e Escolas Primárias; a fundação das Escolas Médicas de Lisboa e Porto, da Escola Politécnico de Lisboa, da Academia Politécnica do Porto, do Instituto Agrícola e do Conservatório de Música;

 – Reorganizaram-se os correios e começaram a circular em Portugal os primeiros selos de correio; Construíram-se, ainda estradas e pontes e iniciou-se a construção do primeiro troço de caminho-de-ferro.

Foi um movimento popular, a Revolução da “Maria da Fonte” que estalou na Póvoa de Lanhoso (Minho), em 1846 e que se estendeu a todo o país. Esse movimento foi motivado pelos agravamentos dos impostos e pelas medidas tomadas por Costa Cabral que obrigavam os enterramentos nos cemitérios e não nas igrejas, como era costume.

Deixe um comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. Miguel “O rei absoluto” – 1828-1834

Nasceu em Queluz, em 1802. Era irmão de D. Pedro IV. Casou com D. Adelaide Sofia. Teve o cognome de “O Absolutista” por ser partidário de uma monarquia absoluta. D. Miguel regressou da Áustria, onde se encontrava exilado, e chegou a Portugal em 1828. Depois de jurar a Carta Constitucional assumiu a regência de Portugal, mas viu que não era capaz de governar, seguindo uma política liberal com a qual não concordava.

Senhor do poder, uma das primeiras medidas de D. Miguel foi dissolver o Parlamento. Logo a seguir, convocou as cortes, segundo os velhos costumes. Estas, apoiadas por um grande partido, restauraram então o regime tradicionalista, isto é, proclamaram D. Miguel rei absoluto.

A resolução tomada pelas cortes desagradou aos liberais (constitucionais). Começou, por isso, a guerra civil. Em várias terras do país, levantaram-se motins contra D. Miguel, logo prontamente sufocados. No Porto, revoltou-se a guarnição militar, que foi dominada também pelas forças miguelistas (absolutistas ou realistas do general Póvoas). As tropas liberais e grande parte dos seus partidários fugiram para a Espanha, de onde passaram para a França e Inglaterra.

Com a vitória dos realistas, D. Miguel ficou a dominar em todo o território português, com excepção da Ilha Terceira, que se conservara fiel à rainha D. Maria da Glória.

Reuniram-se nesta ilha muitos dos liberais fugitivos que se encontravam na França e na Inglaterra, entre os quais o Conde de Vila Flor, que assumiu o comando das tropas e o governo da ilha.

D. Miguel, com o fim de submeter os revoltosos, mandou ali uma esquadra que foi derrotada no combate da Vila da Praia. D. Pedro, informado dos acontecimentos que se desenrolavam em Portugal, tratou sem demora de abdicar a coroa do Brasil em seu filho, D. Pedro de Alcântara. Em seguida – a fim de retomar o trono para a sua filha, D. Maria da Glória – partiu para França e Inglaterra, onde, com portugueses e estrangeiros, conseguiu organizar um exército com que foi juntar-se aos seus partidários da ilha Terceira.

Em Junho do mesmo ano, D. Pedro partiu da ilha de S. Miguel (Açores) para a metrópole, à frente de uma expedição de 7.500 homens; desembarcou no Mindelo (próximo de Leixões) a 8 de Julho e entrou no dia seguinte no Porto, que as tropas de D. Miguel vieram sitiar depois, tendo esta cidade sofrido, durante mais de um ano, um cerco terrível. Os sitiantes do Porto, apesar da resistência dos liberais, não desistiam de tomar aquela cidade, e continuavam os seus ataques. Tornava-se urgente, pois, acudir à desesperada dos liberais, que já lutavam até com falta de alimentos.

Então o Duque de Terceira, conseguindo sair do Porto por mar (Junho de 1833), com uma expedição de 1.500 homens, dirigiu-se às costas do Algarve, onde desembarcou. Depois de tomar várias terras do sul e de ter derrotado, perto de Cabo de S. Vicente, a esquadra realista que ali se encontrava, pôde facilmente caminhar até Lisboa, onde entrou no dia 24 de Julho, pondo em debandada as tropas miguelistas.

Os miguelistas notando o perigo que a sua causa estava correndo no sul, resolveram levantar o cerco do Porto e salvar Lisboa, marchando também em sua perseguição as tropas que tinham estado sitiadas naquela cidade. Passado tempo, os dois exércitos encontraram-se, mas o Marechal Saldanha, a favor dos liberais, ganhou a batalha de Almoster (Fevereiro de 1834).

Em Maio do mesmo ano, os miguelistas foram igualmente derrotadas pelo Duque da Terceira na batalha de Asseiceira. Como se acaba de verificar, a sorte desta guerra civil foi desfavorável à causa que D. Miguel defendia. Por isso, este, reconhecendo-se vencido, assinou em 26 de Maio de 1834 a Convenção de Évora-Monte, pela qual era obrigado a depor as armas e a retirar-se para fora de Portugal, no prazo de 15 dias. D. Miguel, vencido pelos liberais, exila-se Áustria, onde faleceu em 1866. Os seus restos mortais foram transportados para Portugal.

1 Comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. Pedro IV “O rei soldado” – 1826-1828

Nasceu em Lisboa, em 1798. Era filho de D. João VI, a quem sucedeu, e de D. Carlota Joaquina. Casou com D. Maria Leopoldina e, pela segunda vez, com D. Amélia de Beauharnais. D. Pedro IV foi cognominado de “O Libertador” porque derrotou o absolutismo defendido pelo irmão D. Miguel. Faleceu em 1834.

D. Pedro, Imperador do Brasil, foi reconhecido pelo Conselho de Regência sucessor de D. João VI e, por isso, rei de Portugal, com o nome de D. Pedro IV. A carta Constitucional foi outorgada por D. Pedro IV, em 1826, substituindo a Constituição de 1822, embora nela se baseasse. D. Pedro, que já era, como se sabe, Imperador do Brasil, não devia nem podia ao mesmo tempo ser rei de Portugal; por isso, abdicou em sua filha, D. Maria da Glória, o direito de sucessão ao trono português (1826). Porém, nesta abdicação condicionava o seguinte: – Que tal abdicação só se tornaria efectiva quando D. Maria da Glória, que contava apenas 7 anos, atingisse a maioridade e que ela deveria casar com o seu tio, D. Miguel; que este deveria jurar a Carta Constitucional e que, entretanto, ficaria como regente o seu irmão, o mesmo D. Miguel. D. Miguel encontrava-se então em Viena de Áustria. Ao regressar a Portugal, jurou a Carta e assumiu a regência do reino.

2 comentários

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. João VI “O clemente” – 1816-1826

 Nasceu em Lisboa, em 1767. Era filho de D. Maria I, a quem sucedeu, e de D. Pedro III. Casou com D. Carlota Joaquina de Bourbon. Teve o cognome de “O Clemente” devido à sua bondade e disposição em perdoar. Passou a usar o título de Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Daquém e Dalém-Mar em África e Senhor da Guiné… Faleceu em 1826 e jaz em S. Vicente de Fora.

Decorridos dois anos após o falecimento de D. Maria I, o Príncipe Regente, seu filho, que continuava no Rio de Janeiro, foi aclamado com o título de “Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve”. A ausência tão prolongada de D. João VI, a miséria e a devastação causada pela Guerra Peninsular e a influência exercida junto do Governo da Regência pelo inglês Beresford, marechal instrutor do exército português, fizeram crescer em Portugal a lista dos desgostos, e prepararam, ao mesmo tempo, um ambiente revolucionário.

As novas ideias (liberais) importadas da França pelas tropas de Napoleão, durante as invasões franceses iam-se espalhando cada vez mais. Falava-se contra o governo, contra a família real e contra os ingleses. E tudo assim foi correndo, até que, no dia 24 de Agosto de 1820, estalou no Porto uma revolução preparada e dirigida por Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges e José da Silva Carvalho, que saiu triunfante.

 A Junta Governativa foi logo demitida e criada outra, a Junta Provisória do Governo Supremo do Reino, que tomou o poder em nome do rei, ficando encarregada de convocar as Cortes Gerais, que deviam decretar uma Constituição.

Esta Constituição foi proclamada em 23 de Setembro de 1822, jurada por D. João VI que, então, já havia regressado do Brasil. D. João VI regressado a Portugal, deixou ficar no Brasil a governar como regente, o seu filho mais velho, D. Pedro. Aos portugueses residentes naquela colónia, bem como aos próprios naturais, não agradou a retirada da corte, que ali permanecera durante doze anos. Por isso, descontentes, proclamaram, em Setembro de 1822, a independência do Brasil, de acordo com o próprio regente D. Pedro, que depois se fez aclamar seu imperador. Desde então aquela colónia deixou de pertencer a Portugal, o que só foi reconhecido em 15 de Novembro de 1825, por D. João VI. O infante D. Miguel, filho segundo de D. João VI, auxiliado por sua mãe, a rainha D. Carlota Joaquina, conspirava contra o regime liberal, fazendo todos os esforços para derrubá-lo.

Em 27 de Maio de 1823, D. Miguel, à frente de um regimento de infantaria e de alguns soldados de cavalaria, fez estalar a contra-revolução em Vila Franca de Xira e proclamou novamente o absolutismo. O rei, embora contrariado a princípio com a atitude do filho, terminou por aderir ao movimento. A seguir, demitiu o governo, prometeu uma nova Constituição e nomeou D. Miguel, chefe dos exércitos. Porém, aquela revolta não ofereceu os resultados positivos que se esperavam. O rei, por sua livre vontade ou aconselhado, contrariou depois a marcha dos acontecimentos. Tal, contribuiu para que D. Miguel se revoltasse de novo (30 de Abril de 1824), levando consigo toda a guarnição militar de Lisboa a cercar o palácio real da Bemposta. D. João VI, medindo a gravidade do momento, seguiu a bordo de um navio inglês que estava ancorado no Tejo. De lá retomou todos os poderes e demitiu D. Miguel do seu alto posto de generalíssimo. Tendo fracassado a causa de D. Miguel, este foi obrigado a abandonar o país pouco tempo depois e foi fixar-se na Áustria. Foi a partir quase do fim deste reinado (1822) que começou em Portugal o regime constitucionalista. Até então vigorara o regime tradicional, o absolutismo.

Deixe um comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia

D. Maria I “A piedosa” – 1777-1816

Nasceu em Lisboa, em 1734. Era filha de D. José I, a quem sucedeu, e de D. Mariana Vitória de Bourbon. Casou com o seu tio, D. Pedro III. Possuía profundos sentimentos religiosos, por isso teve o cognome de “A Piedosa”. O governo de D. Maria I caracteriza-se pelo equilíbrio, competência e progresso espiritual e material do País. Morreu no Brasil , em 1816, e jaz na Basílica da Estrela.

Logo após a morte do rei, o Marquês de Pombal pediu a demissão de ministro e de outros lugares, o que a rainha deferiu.

Contra ele foi depois instaurado um processo que veio a terminar com a sua condenação. Mas a rainha perdoou-lhe parte dos castigos, limitando-se a determinar que se ausentasse para local distante da corte. O Marquês partiu então para Pombal, onde viveu os últimos anos da sua vida.

No reinado de D. Maria I, criou-se a Academia Real das Ciências, a Biblioteca Nacional, a Casa Pia e ainda muitas escolas de instrução primária.

Neste reinado construiu-se, entre outros, a Basílica da Estrela, em Lisboa; principiaram as obras do Teatro de S. Carlos e concluiu-se a Igreja da Misericórdia, em Belém. A rainha, depois de muitos desgostos, adoeceu gravemente  e enlouqueceu. Foi a partir daí que seu filho, o príncipe D. João, tomou conta do governo.

Em 1801, Portugal foi invadido por numerosas tropas espanholas e francesas. Entraram pela fronteira alentejana, tendo conseguido apoderar-se de Olivença, que a Espanha nunca mais nos restituiu.

Napoleão ordenou o Bloqueio Continental contra os ingleses. Em obediência a esta ordem, todas as nações europeias deviam encerrar os seus portos aos navios britânicos. O príncipe regente D. João, inspirado na vontade do seu povo, não cumpriu as determinações de Bonaparte. Como o regente, apesar de novas insistências, continuava a não transigir, Napoleão assinou com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de Outubro de 1807), no qual Portugal seria repartido pela Espanha e pela França. Para tal efeito, Portugal tinha de ser conquistado, mas o General francês não o conseguiu.

Deixe um comentário

Filed under Reis da 4ª Dinastia